Decisões

- Hey, peraí, Mandy, NÓS coisa alguma. Se alguém quiser ficar no hospital, eu não me importo de levar, mas vou ser egoísta e ir pra minha casa na seqüência. Os únicos remédios que preciso são um banho longo e uma cama com lençóis limpos. Eu não estou com a menor vontade de explicar para ninguém COMO chegamos nessa situação, especialmente pq nenhum de nós SABE como isso aconteceu. - Eric aponta o óbvio, irritado. Com um gesto de cabeça, ele sinaliza para Kary abrir o carro – e pela primeira vez naquela noite, a amiga parecia feliz de obedecer. Mandy arregala os olhos diante da negativa peremptória:
- Mas... E quanto ao Adam?! Nós não podemos simplesmente ir embora e deixar para trás um amigo... - “morto”. Seus lábios formam a palavra, mas a garganta não consegue emiti-la. Odiava saber que ela tinha razão, Eric percebe. Acomodando Tatj no banco de trás, ele pensa em algo para dizer, mas Beau é mais rápido:
- Já sei o que fazer. Espera, espera só um pouco... –ele dá um sorriso de criança que acabara de ter uma idéia genial para alcançar o pote de biscoitos na prateleira mais alta. O rapaz se afasta dos amigos com um gesto estranhamente fluido, como se os tênis mal tocassem as placas de cimento da calçada. Aquilo não parecia ralmente auspicioso, beau parecia quase... feliz. Vencida, Mandy se acomoda ao lado de Tatj e Kary as acompanha, com pressa para sair dali. Um murmúrio escapa dos lábios da ruiva:
- Minha cabeça dói... -Tatj se queixa, se forçando a abrir os olhos verdes. O ambiente à sua volta entra em foco de maneira brutalmente rápida, que faz um mundo luminoso explodir nos cantos das suas pálpebras. Aquilo também doía. E assim ela fecha os olhos mais uma vez, refrescando a mente com a momentânea e bem vinda obscuridade. O que diabos...?! Como se ela tivesse pronunciado a pergunta em voz alta (não achava que tivesse) , Kary se apressa em explicar:
- Aconteceu uma coisa estranha, Tatjana. Mas nós já estamos indo pra casa. Eric?- o tom era urgente e inquisitivo. Com o cotovelo direito apoiado no teto do carro e a outra mão segurando com força a moldura da porta, Eric acompanha Beau deslizar até uma cabine de telefone na outra esquina. Pelo modo como ele se demorava, certamente era uma das raras cabines de telefone que funcionam... O que deveria ser considerado um sinal de boa sorte, à que quase tudo por ali estava depredado ou a um passo disso. A energia da juventude procurava coisas para destruir pelo prazer da destruição em si, sem grande discriminação se os objetos poderiam eventualmente ser úteis ou não. Deixando de lado a filosofia, Eric flexiona o joelho e se move, ocupando o lugar do motorista enquanto Beau fazia o mesmo do lado oposto. Erguendo os polegares, o rapaz comunica:
- A polícia estará aqui em algum tempo. Em pouco tempo, pois parece que uns alarmes dispararam na mesma área. - ele não explica como tinha conseguido aquela informação
Dando um longo olhar para Beau (e não conseguindo ignorar uma voz interior que alertava que talvez fosse recomendável algum médico examinar a cabeça dele), Eric dá a partida no carro e questiona, manobrando para sair:
- Então, alguém quer ir ao hospital? Mandy?- ele pressiona, o silêncio se adensando entre eles e ocupando o lugar que Adam deixara vago. Com um misto de raiva e resignação, a loira resmunga uma negativa, e é como se um suspiro coletivo de alívio fosse liberto dentro do Plymouth. Concentrando-se na direção, Eric deixa que as idéias reconfortantes de um banho e uma cama macia invadissem a sua mente, calando os questionamentos realmente preocupantes.
O que tinha acontecido com eles? Por que alguém mataria Adam? Por que eles não conseguiam se lembrar dos detalhes...?
E qual era a razão para o mundo estar parecendo tão... Diferente aos seus olhos?


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