Mandy

Mandy sentia a cabeça rodando de maneira aguda e desagradável. Será q aquilo era estar bêbada?! Ela duvidava. Ela nunca bebia, e tinha certeza de que Beau tinha lhe dado uma lata de coca-cola. Uma lata de coca cola q ela mesma abrira. Ela jamais aceitava nada onde pudessem jogar alguma coisa dentro. Não q ela soubesse, com exatidão, o que poderiam jogar dentro do refrigerante e que era tão ruim assim ao ponto de suscitar cuidados... Mas assim era Mandy. Ela sempre jogava pelas regras, andava sempre na calçada, onde era seguro.
Não se sentia mto segura naquele momento. Aliás, sentia-se mal. Mto mal. Tudo parecia incomodá-la: a aspereza do chão (pq ela estava no chão?!), os fios de cabelo colados na sua testa suada, a sensação de sujeira e doença que a tomava. Um toque no seu ombro, e ela se encolhe ainda mais. Não queria ser tocada. Uma imagem surge mto nítida na sua mente – não uma imagem, era mais uma sensação... Uma mão asquerosa, velha e encarquilhada, deslizando pela sua coxa e subindo a saia do seu vestido. A impressão é tão forte q faz o corpo fraco protestar da única maneira que consegue; Mandy inclina a cabeça, sem nenhum traço de elegância, e devolve o jantar.
O som sufocado faz Eric afastar a mão dela. Alarmado, ele a segura pela cabeça, com mais urgência do que delicadeza, evitando q ela sufocasse. Tossindo e enjoada com o sabor de bile que parecia encher todo o seu mundo, a moça choraminga:
- Me deixa em paz... Me deixa em paz...!- o protesto era tão fraco qto o de um gato recém-nascido. Ela ergue a mão trêmula, numa tentativa de limpar o rosto, torcendo para que aqueles dedos ficassem longe dela.
- Mandy, sou eu. O Eric... - ele nota q ela mantinha os olhos furiosamente fechados. Não parecia mto disposta a ver onde estavam, e ele não a culpava por isso... Nada na cena era agradável. - Abre os olhos, por favor. - ele pede, agachando-se diante dela. Já podia ver os contornos com mais clareza. O espaço era vazio, exceto por eles. Beau estava encolhido num canto, sua blusa havaiana berrante visível, mostrando um pouco da sua barriga redonda; Adam, deitado de bruços, as pernas e os braços meio torcidos num ângulo esquisito, o rosto de traços asiáticos apoiado no antebraço esquerdo. Do outro lado, os cabelos cor de fogo de Tatjana espalhavam-se como uma labareda no chão sujo, um tímido ponto de cor naquela escuridão desolada. Por fim, com as costas apoiadas na parede, os joelhos erguidos numa atitude defensiva e os cabelos castanhos escondendo suas feições, estava Karyan.
“Ao menos estamos todos aqui”, Eric pensa, com a lógica dos desesperados. Nenhum dos seus amigos escapara daquela armadilha. Estranho q a palavra “armadilha” surgisse em sua mente. Não lembrava de nada q levasse a essa conclusão. Num momento, estavam todos bem, no bar, acompanhando aos berros a banda q estraçalhava uma música do U2. No momento seguinte, acordara ali, e o resto... Como diziam, o resto era história.
Parando de divagar, ele se força a falar mais alto, tentando romper aquela barreira de angustiada defesa na qual Mandy parecia envolvida.
- Dy, sou eu. O Eric. Abre os olhos, por favor... Quero saber se vc está bem. - ele diz aquilo no tom mais tranqüilo q consegue. Sua voz grave parece finalmente ultrapassar o medo da moça loira, e ela abre os olhos de maneira hesitante. Ela pisca uma, duas vezes, até as íris castanho-esverdeadas focarem o rosto de Eric. Qdo finalmente a visão entra em foco, Mandy começa a sentir as lágrimas correndo pelo seu rosto sujo. Um amigo. Algo q fazia sentido, bem diante dela. Ela ergue uma das mãos e toca o queixo forte. Os dedos dela estavam frios, ele percebe, mas não era páreo para a dor q a voz dela transmitia:
- É... É vc mesmo, Eric?
- Claro q sou eu, Dy. Vc tá bem?
-N-não. - os lábios dela tremem. Ela tenta se conter, sem sucesso, fincando os dentes brancos no lábio inferior. - Eric, me tira daqui... Por favor?!- o pedido é pouco mais q um sussurro, enquanto ela se inclina para ele, como um animalzinho pedindo proteção. Sem saber o que dizer, Eric passa a mão pelas costas dela. Maldição, ela estava fria como uma pedra de gelo...
- Vou tentar, Mandy. Juro q vou tentar. – o rapaz responde, odiando-se pelo q sabia ser uma mentira, ou, na melhor das hipóteses, uma meia verdade. Não sabia como poderiam sair dali. Seus olhos analisam o ambiente. A mente estava vazia de idéias. Como sairiam dali?


2 Comments:
Retirou o que eu disse no comment anterior. Se vc teve a idéia para essa historia a muito (mas muito tempo mesmo) tempo atrás, a porcaria do filme “Jogos Mortais” estragou os seus planos. Por que quanto mais eu leio mais eu acho que estou vendo um rascunho de uma seqüência para o terceiro filme... Não é ridículo? Seja como for, vc mantem o estilo que prevalece em historias de suspense: Grupo de adolescente de raças e aparências diferentes para atingir o maior numero possível de espectadores e leitores. Isso me irrita um pouco. No seu caso, a maneira com a qual você descreve a aparência de cada personagem (de modo rápido aqui) já mostra um cuidado em usar de signos para já dar as pistas do tipo de cada personalidade presente na sala. Ótima escolha de nome, viu? Foi o que eu mais gostei nesse post aqui. A parte do vomito que quase afoga a menina eu podia ficar sem... argh!
A história está ficando cada vez mais interessante... Veremos o que acontecerá a esses desafortunados jovens...
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