3.10.06

The beginning


Na escuridão, Eric sente-se acordar com um solavanco. Mas não havia nada, nada além do chão áspero, coberto de sujeira produzida por anos de abandono. E não havia luz.... Disso ele lembrava nitidamente. Mas, por alguma razão, ele conseguia enxergar contornos fracos. Os degraus que conduziam para cima, para uma porta q parecia extraordinariamente resistente.. Curvas q representavam as costas, cabeças e pernas de outras pessoas. Ele sabia quem eram as outras pessoas. Claro, seus amigos. Eles tinham saído pra uma noite de cerveja e uma banda cover ruim, num dos bares do distrito “jovem” da cidade...

Isso não explicava como eles tinham ido parar, desfalecidos (ou, no caso dele, atordoado), naquele porão escuro. Ele podia escutar respirações e batidas de coração, mto altas. Deviam ser as suas próprias, o sangue vibrando nos tímpanos e o seu coração batendo de forma enlouquecida, ele se adverte, numa vã tentativa de racionalizar aquela situação q não tinha nada de racional. Todas as lendas urbanas sobre pessoas q embriagavam inocentes e lhes roubavam os rins passam pela sua cabeça numa velocidade alucinante. “Isso não existe. Não-existe”. A afirmação soa bem pouco convincente, até para ele mesmo. O rapaz se ergue, fazendo um esforço para ignorar a dor q parecia partir do seu pescoço e se espalhar, impiedosamente, pelo resto do seu corpo. Era ruim o suficiente para fazê-lo cambalear, caindo contra a parede numa tentativa de recuperar o fôlego. O reboco estourado arranha as suas costas como a pior amante do mundo, provocando-lhe um arrepio que mesclava repulsa e pânico. Sim, pq aquilo q ele estava sentido ia mto além do medo. Respirando fundo, ele se afasta da parede e se debruça sobre o primeiro corpo, perto dos seus pés.

Sobressaindo-se sobre todos os odores, ele consegue perceber o cheiro de flores q sempre associava à Amanda. A doce, loira e rosada Amanda. Uma Barbie em forma de gente. Se havia um lugar errado para uma garota como Mandy estar, era aquele porão... O rapaz espalma a mão no ombro delicado, esperando q ela acordasse. Estava mais ou menos calmo. Não estaria tão calmo se soubesse de dois detalhes.

O primeiro era q ele e seus amigos estavam morrendo. De algo q ia ser doloroso e monstruoso.

O segundo detalhe é q eles estavam sendo observados...

A luzinha fraca da câmera estava bem oculta. Mas captava as imagens perfeitamente. O trabalho de Alec fora, como de hábito, rápido e eficiente. E agora, o grupo eclético acompanhava, com interesse, a movimentação dentro do espaço escuro.

- Um deles despertou. - uma voz que parecia pertencer a um quase menino, no fim da adolescência – chama a atenção para a tela. Não q o aviso fosse necessário. Eles se acomodam, conversando baixinho entre si, especulando. Aliás, isso era o q eles faziam para encher suas horas de tédio – especular. Era essa também a razão de estarem ali, reunidos...

Os jovens no escuro ainda não sabiam disso, mas era o tédio daquele grupo que os tinha colocado lá. Lá e em problemas. Problemas sérios...

O rapaz de cabelos escuros e cavanhaque – a presa de Damaris – fora o primeiro a despertar. Provavelmente era o mais forte. Observando a cena, ela não consegue evitar sentir-se um tanto exultante. Era sempre bom saber que tinha escolhido o melhor, o mais forte. O fato de Graham ter descartado o rapaz tatuado de cara, preferindo uma garota ruiva, tornava o momento ainda mais saboroso. Vencer Graham era raro. Ela não consegue evitar um sorriso de dentes brancos enquanto se inclina na direção da tela. Não iria fitar o mais velho deles agora. Isso iria parecer um desafio, e arruinaria aquele instante feliz.

Será que ela ainda lembrava o que era ser feliz? Seria esse um instante feliz, de fato? Com a prática nascida da experiência, ela afasta os pensamentos para um canto obscuro de sua mente. Seus companheiros farejavam dúvidas e medo com a facilidade nascida do longo convívio. Se não tomasse cuidado, ela se tornaria o objeto da especulação, tomando o lugar das crianças no porão. Já vira acontecer antes. Predador virando presa,e não era nada agradável...

- Eles não vão durar muito. Ouçam o que eu digo, depois que o último deles despertar, eles se matarão em uma hora. - o comentário é feito numa voz rouca e seca. Como se o seu dono estivesse morto há mtos séculos. Damaris o observa com o canto do olho e logo desvia a sua atenção para a tela novamente. N’bae devia se envergonhar. COMO não se envergonhava?! Mostrava sua deformidade sem o menor escrúpulo. Ela não gostava de ser obrigada a assistir aquele espetáculo repugnante. Mas seu desconforto havia sido ignorado. Ela fora um adorno, por tanto tempo, que ainda era difícil para os demais vê-la como uma igual. Mas ela provaria para eles... E começaria com aquele garoto, que, bravamente, tentava despertar a sua companheira. As tatuagens escondiam doçura... Mas isso ela já sabia.

Provara, ela mesma, daquela doçura.

2 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Vou comentar conforme vou lendo a historia, okay? Em primeiro lugar. Ótima ambientação e um inicio misterioso o suficiente para manter as pessoas (eu) interessadas. Vou chutar que vai ser uma historia sobre vampiros, mas eu posso estar enganada, não é mesmo? Vou continuar a leitura por prazer e não por obrigação, mas cuidado com as frases feitas do tipo “afasta os pensamentos para um canto obscuro de sua mente”. Gosto mais quando você usa de expresses mais criativas, como “O reboco estourado arranha as suas costas como a pior amante do mundo”. Soa mais original e mais interessante :o)

3:43 PM  
Blogger Orion said...

A história parece bastante interessante. Continuarei lendo, estou curioso para ver o que acontecerá.
De certa forma, esse cenário me lembra o cenário gótico de Vampiro: A máscara. Vejamos o que vai acontecer...

11:38 PM  

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